Cristianismo Básico (Parte 1)
Resenha do livro “Cristianismo Básico” de John Stott, Por Marconi Fábio Vieira
O autor John Stott é conhecido no mundo inteiro como teólogo, escritor, evangelista, pastor emérito da All Souls Church, Lagaham Place, em Londres e presidente do London Institute for Contemporary Christianity. É autor de mais de 40 livros, entre os quais Por Que Sou Cristão (Editora Ultimato) e foi indicado pela revista Time como uma das personalidades mais influentes do mundo.
Cristianismo Básico é um livro dividido em quatro partes e contém 11 capítulos. O prefácio começa declarando que um grande número de pessoas da atualidade, especialmente os jovens, rejeita a igreja porque a considera corrompida pelos males do sistema. Entretanto essas pessoas não rejeitam a Jesus Cristo. Expõem a veracidade de Jesus comprovando-a pela sua historicidade tanto por escritores cristãos como por pagãos. Comenta sobre a divindade de Jesus e destaca que se Jesus não é o Deus encarnado, o cristianismo estaria liquidado. Introduz o conceito de Cristianismo Básico através da aplicação prática da nossa fé, onde devemos assumir um compromisso pessoal com o Senhor Jesus, de coração e de mente, alma e vontade, entregando nossa vida a Ele, sem reservas, nos humilhando diante Dele, confiando Nele como Salvador e nos submetermos a Ele como nosso Senhor para então assumirmos nossos lugares como membros fiéis da igreja e cidadãos responsáveis dentro da comunidade.
O capítulo 1 inicia-se com a revelação de que Deus é quem sempre toma a iniciativa desde a criação, trazendo o universo e seus elementos à existência e que Ele também tomou a iniciativa na salvação vindo em Jesus Cristo para libertar os homens e mulheres de seus pecados. Este capítulo ainda aborda o homem como uma criatura insaciavelmente curiosa e que está sempre em busca do conhecimento com incansável energia. No entanto, quando a mente do homem começa a manifestar interesse por Deus, ele se confunde devido à profundidade do assunto já que Deus é infinito. Através da Palavra de Deus, ou seja, da Bíblia, Deus revelou sua vontade, pois amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. O Cristianismo é uma religião de salvação e não há nada nas religiões não cristãs que se compare à mensagem de um Deus que amou, buscou e morreu pelos pecadores perdidos. Ressalta também que devemos buscar a Deus das seguintes maneiras: diligentemente, humildemente, honestamente e obedientemente, com a nossa mente aberta e com boa vontade, pronto para obedecer e conclui dizendo que Deus abençoa e recompensa os que o buscam honestamente (em espírito e em verdade).
“As Afirmações de Cristo”, título do capítulo 2, começa com uma indagação: “Por onde devemos começar a buscar? E responde dizendo que o único lugar para começar é a pessoa histórica de Jesus de Nazaré, pois se Deus falou e agiu, Ele o fez plenamente em Jesus Cristo. A questão crucial é: seria o carpinteiro de Nazaré realmente o Filho de Deus. As razões para começarmos a nossa investigação é que a essência do cristianismo é a pessoa de Cristo e sua obra. Se tirarmos Cristo do cristianismo não sobrará praticamente nada. Cristo é o centro do cristianismo; tudo mais gira em torno dele. Jesus foi uma pessoa única e divina e isso prova a existência de Deus e revela seu caráter. Stott expõem o objetivo do capítulo dizendo que o propósito é obter evidências que provem que Jesus é o Filho de Deus, tais como as suas declarações, dividindo-as em quatro tipos diferentes: a) ensino autocentrado (“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”); b) afirmações diretas (“Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, Eu Sou”); c) afirmações indiretas (ao perdoar pecados, ao dizer quer era o pão da vida, a água viva e na forma como Ele ensinava as verdades com palavras com autoridade); e d) afirmações dramatizadas (através dos milagres – sinais -, pois todos os seus milagres são parábolas, pois os homens estão espiritualmente famintos, cegos e mortos, e somente Cristo pode satisfazer a sua fome, restaurar a sua vida e ressuscitá-la para uma nova vida).
“O Caráter de Cristo”, capítulo 3, expressa que a convicção cristã sobre Cristo é grandemente fortalecida pelo fato de que há fortes indícios de que ele era realmente quem afirmava ser. Não há discrepâncias entre suas palavras e seus atos. Suas declarações são únicas, seu caráter inigualável. Stott ressalta a natureza pecaminosa do homem e evidencia a impecabilidade de Cristo em quatro temas: o que Cristo disse de si mesmo; o que disseram os amigos de Jesus; o que os inimigos de Cristo reconheceram e o que podemos ver por nós mesmos.
O capítulo 4 intitulado “A ressurreição de Cristo” examina as evidência históricas de sua ressurreição. Somente uma pessoa com características sobrenaturais poderia deixar esse mundo de maneira tão extraordinária. Seu nascimento e morte foram naturais, mas sua concepção e ressurreição foram sobrenaturais. As evidências da ressurreição de Cristo são expostas por Stott em quatro declarações: O corpo desapareceu; as vestes do sepultamento estavam intocadas; muitos viram o senhor e os discípulos foram transformados. Nestes primeiros capítulos, “Parte 1 - A Pessoa de Cristo”, Jonh Stott procurou fazer uma investigação crítica do personagem mais cativante de toda a história, um modesto carpinteiro de Nazaré que se tornou um pregador itinerante e morreu com um criminoso. Suas declarações foram extraordinárias; Ele nunca pecou e Ele ressuscitou dentre os mortos. O peso acumulado destas evidências é praticamente conclusivo. Isso torna completamente aceitável aquele derradeiro ato de fé que nos faz ajoelhar diante dele e coloca em nossos lábios a poderosa confissão do desconfiado Tomé: “Senhor meu e Deus meu”.
A “Parte 2 – A Necessidade do Homem” é composta pelos capítulos 5 e 6. O capítulo 5, “A Realidade e a Natureza do Pecado” ressalta que para entendermos plenamente a obra realizada por Jesus, precisamos compreender não apenas que ele foi, mas também quem nós somos. Passe-se então da impecabilidade e da glória de Cristo para o pecado e a vergonha do homem. O pecado não foi uma invenção de alguns religiosos como forma de garantir seus empregos; trata-se de uma realidade da natureza humana – uma transgressão da lei. Os autores bíblicos são bem claros quando afirmam que o pecado é universal (uma maldade que vem de entro, uma disposição interna para o mal) – um padrão moral que fracassamos em alcançar ou de uma lei que falhamos em cumprir. Stott segue abordando os dez mandamentos para verificar o quanto somos parecidos com todos os outros homens. A menção aos mandamentos trouxe à luz uma lista desagradável de pecados. Muitas coisas acontecem dentro de nós, nos lugares ocultos de nossas mentes, onde as pessoas não conseguem enxergar e nós tentamos esconder até de nós mesmos. Mas Deus vê todas as coisas. Seu olho penetra os mais profundos recônditos do coração. Stott conclui dizendo que nada é mais poderoso para nos convencer de nossa pecaminosidade do que a sublime e justa lei de Deus.
… continua em “Cristianismo Básico (Parte 2)”